sexta-feira, 20 de abril de 2012

CORRUPTO, EU????



(Outro texto antigo e tão atual... que pena!)
Este é mais um "desabafo" sobre um assunto que está mantendo-me pensativa por alguns meses e, gostaria de encontrar coerência e/ou estar completamente equivocada.
Tenho certeza que você já deve ter experimentado este pensamento: É correto afirmar que nós, brasileiros, temos uma "veia corrupta"?
Estou usando a nossa nacionalidade, evidência comum dos fatos. Sei que existe em outros países, mas moro aqui e acompanho daqui, portanto, acredito ter direito enquanto inclusa na questão.
Por gentileza, coloque-se como sujeito para as afirmações a seguir: (Atenção: estas são apenas hipóteses se não as reconhece, nunca presenciou ou  nunca executou, por favor, ignore.)

- "Já furei uma fila (no banco, na padaria, no trânsito, etc)";

- "Já levei material do meu escritório pra casa (caneta, lápis, borracha, etc). Detalhe: este material pertencia a empresa para qual presto serviço e paga o meu salário (desconsidere se pagam mal ou se o valor para você é injusto)";

- "Já fingi que estava dormindo para não dar lugar a um idoso em um coletivo. Detalhe: eu estava no lugar reservado a ele";

- "Já usei o meu "prestígio" e fiz uma pressão velada para que um conhecido meu, para o qual devia um favor, ocupasse uma vaga disponível na empresa na qual trabalho. Detalhe: no processo seletivo havia uma pessoa melhor preparada";

-  "Deixo as minhas ligações para celulares e as interurbanas para fazer de lá da empresa";

- "Se acontece uma falha na contabilidade do meu setor para mais, mantenho o valor e fico com o que sobra. Ninguém percebe mesmo";

- "Ao assistir o jornal, vi um cidadão devolver uma muchila lotada de dinheiro e pensei:  "O maior otário, se fosse eu não devolveria!"";

- "Já comprei CD pirata. (Desconsidere que as gravadoras extrapolam nos valores dos Cds)";

- "Já fiz um CD "exclusivo" copiando músicas de sites na internet.";

- "Já usei um telefone que estava fazendo, por defeito, ligações gratuitas." (Desconsidere se a Cia. responsável pela prestação deste serviço é muitas vezes injusta e incompetente )";

Estes são comportamentos tão comuns que você deve estar pensando: "Que idiota! Aposto que deve fazer o mesmo e quer dar uma de moralista."

Pode ser...

E este pensamento, amigo, é um mecanismo de defesa  muito natural da sua parte, pois, somos acometidos a um  tipo de sensação estranha... um misto de raiva com vergonha.

Vergonha, que quer dizer: sentimento de densonra pública,  fato vexatório, mas , lembre-se: você está sozinho agora. Considere os sinônimos: descrédito, embaraço e acanhamento de você para você mesmo.
E raiva: sentimento intenso de ira, no caso, por quem escreveu, por que no primeiro momento você sentiu-se agredido, apesar de ser o sujeito real em um dos tópicos.
Por serem tão constantes, estes comportamentos e outros semelhantes, foram "perdoados" por nós, pela nossa consciência social.

Executamos sem culpa, por quê simplesmente, fomos  "educados" para desconsiderá-los e  interpretá-los como coragem ou esperteza.
É tão comum ouvir alguém comentar um ato destes e, pelo tom que utilizam não estão envergonhados ou com remorso do ato.
É péssimo afirmar, mas estou atribuindo as desgraças, principalmente as econômicas e sociais  que assolam o nosso país tão somente a esta nosso "defeito de DNA", se é que posso chamar assim.
Que moral temos nós, quando censurarmos os políticos denunciados de corrupção?
Nós somos como eles (em menor escala, claro!), é difícil assumir, mas somos!

Observe este exemplo:

Sabemos que as 1.000 canetas compradas para o escritório são da empresa, porém, usamos a nossa "criatividade" peculiarmente brasileira e "atacamos" com toda a nossa esperteza para tirarmos vantagem.

Que bobagem,  certo? 

Agora este:
O programa bolsa escola é um projeto que foi criado com o fim que sabemos, superficialmente, mas sabemos: para favorecer os carentes. Mas carentes não cobram e não vigiam. Sou um político e fico com parte do recurso.

Que bobagem, certo?
Tenho quase certeza que a maior parte das pessoas que se dispuseram a  continuar a leitura, responderam mais rapidamente NÃO a segunda pergunta.
Mas, qual a diferença entre elas?

NENHUMA!

As duas situações e ações são na mesma intensidade desprezíveis, chocantes e intoleráveis.


Nem preciso descrever o caso da bolsa escola que este, você sabe  por que não deve ser correto.

No caso da caneta: o material que está no seu escritório não é seu, simplesmente, por quê, você não dispensou nenhum esforço para possuí-lo (desconsidere a ação de colocá-lo no bolso ou na bolsa). Pertence a uma empresa que, se pequena ou grande, foi calculado, e dispensada parte da sua renda para possuí-la, de repente, para auxiliar e melhorar as suas potencialidades como profissional, apesar de você nunca ter pensado por este ângulo e sim que, você é um "instrumento" para gerar lucro e para que o seu dono, (seu patrão) fique mais rico.

Que exagero, é uma caneta!!!

É sua? Você comprou? Quem deu para você?

Neste caso específico, não quero enfatizar o roubo,  que não deixa de ser, estou referindo-me tão somente ao hábito de achar que é comum,  que temos direito sobre as coisas e os direitos dos outros.

Acredito que, somos capazes de fazer o revés desta situação. 
Se sou ingênua em pensar assim?
Devo ser sim!
E digo mais, estou em cima do muro com a minha consciência...
Tenho omitido as minhas opiniões constantemente para proteger a minha integridade física. Tenho os sintomas de raiva e por fim, vergonha, quando tento expor as minhas idéias em público, inclusive, certa feita quase fui linchada! (Este é assunto pra outro desabafo!)

Mas sou otimista.
O acomodamento nos tornam pessoas que são vistas e acompanhadas com desconfiança por outros povos, por conseqüência, estamos dando, junto com esta impressão,  os nossos direitos e o nosso poder como país em desenvolvimento, pouca ou nenhuma crença as nossas propostas de crescimento.

Para você, que, antes de fazer qualquer reflexão já está julgando-me uma anti nacionalista, uma vendida e até mesmo uma fraca, (Boba, fraca, burra e otária são adjetivos comuns para mim, ouço sempre que tento argumentar quando presencio qualquer comportamento citado), digo que, o  caso é bastante grave: recebemos esta herança dos nossos avós e pais e estamos passando para as nossas crianças, refiro-me a condição comportamental e cultural, estou desconsiderando a questão DNA que,   se for verdade,  não estaremos  perdidos só nesta geração e sim por  eras e eras.

Sugestão:

Perdoe a sua consciência e mude de postura, mude de atitude, sua mudança pode mudar um país ou parte dele, quiçá salvar uma era!

Danielah
Brasileira, otária, mas otimista!

Obs.: Acreditem: quando acabei de escrever este texto, aproximadamente 10 min. após, mandei para uma pessoa conhecida mas, não próxima, via Internet, e, ela disse na minha " cara" que o texto não era meu que ele já tinha lido. Certamente será mais um autor do texto.
Esta é uma situação muito complexa...
Ninguém nunca vai saber qual o texto original, pois, eu também posso estar exercitando o meu lado brasileiramente corrupto de ser!!!
Não vou ficar zangada se você assinar este texto e divulgar como sendo o autor, apenas divulgue. 
É "natural", afinal, não mudamos da noite para o dia!

Salvador, 09 de abril de 2005


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